Primeiros sinais de pré-eclâmpsia: o que toda gestante precisa conhecer

Você sabia? A pré-eclâmpsia pode acontecer sem sintomas evidentes. Por isso, o acompanhamento da pressão arterial e o pré-natal são fundamentais para identificar alterações precocemente.

A gravidez é um período de muitas transformações no organismo. A maioria delas é esperada, mas algumas alterações precisam de atenção especial principalmente quando envolvem a pressão arterial.

Os primeiros sinais de pré-eclâmpsia nem sempre são fáceis de perceber. Em algumas gestantes, a alteração pode começar de forma silenciosa, sendo identificada inicialmente pela pressão arterial elevada durante uma consulta de pré-natal ou por alterações em exames.

Por isso, conhecer os sinais de alerta é uma forma importante de participar ativamente dos cuidados durante a gravidez. Dor de cabeça persistente, alterações na visão e inchaço repentino no rosto ou nas mãos, por exemplo, merecem atenção.

E existe um ponto importante: a pré-eclâmpsia pode surgir mesmo quando a gestante não percebe sintomas claros.

Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde sobre pré-eclâmpsia, a condição pode ocorrer sem sintomas e surgir durante a segunda metade da gestação ou até mesmo após o parto.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Se você estiver grávida e apresentar sintomas intensos, persistentes ou de início súbito, procure orientação da sua equipe de pré-natal ou um serviço de atendimento.

O que é pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva da gestação que geralmente aparece após a 20ª semana de gravidez segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e pode estar associada a alterações renais, hepáticas, neurológicas e placentárias.

De forma simplificada, ela está relacionada ao funcionamento inadequado da placenta e a alterações na circulação materna, podendo provocar aumento da pressão arterial e comprometimento de órgãos.

É importante destacar que uma medida isolada de pressão não deve ser interpretada sozinha como diagnóstico. A avaliação deve ser feita por profissional de saúde habilitado, considerando o histórico, sintomas, exames e evolução da gestação.

Quais são os primeiros sinais de pré-eclâmpsia?

No Brasil, o Ministério da Saúde considera como situação de suspeita de pré-eclâmpsia a presença de pressão arterial igual ou superior a 140/90 mmHg, especialmente quando associada à proteinúria ou a sinais de comprometimento sistêmico.

É justamente por isso que medir a pressão arterial regularmente durante o pré-natal é tão importante

Entre os possíveis sinais estão:

  • pressão arterial elevada;
  • proteína na urina identificada por exames;
  • dor de cabeça forte ou persistente;
  • visão embaçada, manchas ou flashes luminosos;
  • dor na parte superior do abdômen;
  • inchaço repentino nas mãos ou no rosto;
  • náuseas e vômitos após o primeiro trimestre;
  • falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • sensação importante de mal-estar.

A presença de um desses sintomas, isoladamente, não confirma pré-eclâmpsia. O diagnóstico depende da avaliação individual, da aferição adequada da pressão arterial e, quando necessário, de exames complementares.

Quais sintomas de pré-eclâmpsia merecem mais atenção?

Conhecer os primeiros sinais de pré-eclâmpsia não significa viver a gestação com medo. Significa saber reconhecer mudanças que merecem ser comunicadas ao profissional responsável pelo pré-natal.

Alguns desconfortos são comuns durante a gravidez. O que merece atenção especial é quando determinados sintomas surgem de maneira intensa, persistente, inesperada ou acompanhados de pressão arterial elevada.

Dor de cabeça forte e persistente

Dores de cabeça podem acontecer durante a gravidez por diferentes motivos. Porém, uma dor intensa, diferente do habitual ou que não melhora precisa ser avaliada.

A OMS inclui a dor de cabeça intensa entre os possíveis sintomas da doença. O American College of Obstetricians and Gynecologists ACOG também orienta que a pressão arterial seja verificada durante as consultas de pré-natal e destaca a importância de acompanhar alterações hipertensivas na gravidez.

Quando a dor de cabeça aparece acompanhada de alterações visuais, dor abdominal, inchaço repentino ou pressão muito elevada, a necessidade de avaliação torna-se ainda mais importante.

Visão embaçada, manchas ou flashes luminosos

Mudanças repentinas na visão também estão entre os primeiros sinais de pré-eclâmpsia que não devem ser ignorados. Algumas gestantes descrevem visão borrada, pequenos pontos, manchas ou flashes de luz.

Entre as alterações que merecem atenção estão:

  • visão embaçada;
  • pontos ou manchas no campo visual;
  • flashes luminosos;
  • dificuldade repentina para enxergar com nitidez;
  • perda ou alteração importante da visão.

O Ministério da Saúde, em suas orientações sobre os sintomas da pré-eclâmpsia inclui alterações como borramento da visão e percepção de luzes piscando entre os sinais que precisam ser conhecidos pelas gestantes.

Dor na parte superior do abdômen

Uma dor importante na parte superior da barriga, especialmente próxima às costelas ou do lado direito, também pode aparecer associada à pré-eclâmpsia.

É verdade que azia, gases e desconfortos digestivos são frequentes durante a gestação. Porém, dor forte ou persistente, principalmente quando associada a outros sintomas, não deve ser simplesmente atribuída às mudanças comuns da gravidez.

A OMS aponta a dor na região superior do abdômen entre os possíveis sintomas da pré-eclâmpsia. Se a dor surgir junto com dor de cabeça forte, alteração visual, dificuldade para respirar ou sensação intensa de mal-estar, procure avaliação profissional.

Inchaço repentino no rosto e nas mãos

Inchaço nos pés e tornozelos pode ocorrer durante a gestação. Portanto, ter algum edema não significa automaticamente que existe pré-eclâmpsia.

O que merece maior atenção é uma mudança repentina, principalmente quando o inchaço aparece nas mãos e no rosto. Tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde incluem esse tipo de inchaço entre os possíveis sintomas associados à condição.

Observe especialmente:

  • rosto que fica muito inchado repentinamente;
  • mãos que aumentam rapidamente de volume;
  • anéis que ficam apertados de maneira inesperada;
  • inchaço acompanhado de dor de cabeça;
  • inchaço associado a alterações na visão.

Mais importante do que observar um sintoma isolado é informar qualquer mudança diferente do habitual à equipe responsável pelo pré-natal.

Primeiros sinais de pré-eclâmpsia o que toda gestante precisa conhecer

Possíveis sinais e sintomas.  Imagem: Chatgpt. Por Injeta Saúde.

É possível ter pré-eclâmpsia sem sentir sintomas?

Sim. Esse é um dos aspectos mais importantes sobre os primeiros sinais de pré-eclâmpsia: em algumas mulheres, eles podem não provocar nenhuma sensação diferente no começo.

A pressão arterial pode aumentar sem que a gestante perceba. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) destaca que a hipertensão frequentemente não causa sintomas, reforçando a importância de verificar a pressão nas consultas de pré-natal.

Imagine uma gestante que chega à consulta se sentindo perfeitamente bem. Durante a aferição, a pressão aparece elevada. O profissional pode repetir a medida e, dependendo do resultado e do contexto, solicitar exames adicionais.

Ou seja: sentir-se bem é positivo, mas não substitui o acompanhamento pré-natal.

Como a pré-eclâmpsia é identificada?

Os primeiros sinais de pré-eclâmpsia precisam ser interpretados junto com a pressão arterial, o histórico da gestante e outros dados clínicos. Por isso, não é possível diagnosticar a condição apenas comparando sintomas encontrados na internet ou comparando com outras gestantes.

Durante a avaliação, podem ser utilizados:

  1. Aferição da pressão arterial: realizada adequadamente e repetida quando necessário.
  2. Exame de urina: pode identificar a presença de proteína.
  3. Exames de sangue: podem ser solicitados para avaliar diferentes funções do organismo.
  4. Avaliação do bebê: ultrassonografia e outros métodos podem ser indicados de acordo com cada caso.

Uma pressão de 140/90 mmHg ou superior, especialmente quando aparece depois da 20ª semana, precisa ser avaliada por um profissional. O ACOG também classifica valores de 160/110 mmHg ou superiores como hipertensão grave durante a gestação.

Uma aferição isolada não deve ser usada pela própria gestante para estabelecer um diagnóstico. Se encontrar valores elevados em casa, entre em contato com sua equipe de saúde para receber orientação adequada.

Quem apresenta maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia?

Qualquer gestante pode desenvolver a condição. Entretanto, existem fatores associados a uma probabilidade maior, o que pode levar a equipe do pré-natal a acompanhar a gravidez mais atentamente.

Ter um fator de risco não significa que a mulher necessariamente desenvolverá pré-eclâmpsia. A avaliação precisa considerar todo o histórico individual.

Entre os fatores apontados pela OMS em sua página dedicada à pré-eclâmpsia e por outras organizações de referência estão:

  • primeira gestação;
  • pré-eclâmpsia em uma gravidez anterior;
  • gestação de gêmeos ou outros múltiplos;
  • hipertensão antes da gravidez;
  • doença renal;
  • diabetes;
  • algumas doenças autoimunes;
  • obesidade;
  • histórico familiar de pré-eclâmpsia.

O profissional responsável pelo pré-natal é quem pode avaliar esses fatores e estabelecer quais cuidados são recomendados para cada gestante.

Quando procurar atendimento rapidamente?

Reconhecer os primeiros sinais de pré-eclâmpsia é especialmente importante porque alguns sintomas precisam ser avaliados rapidamente.

Procure orientação da sua equipe de pré-natal ou atendimento de saúde se apresentar sintomas como:

  • dor de cabeça forte e persistente;
  • visão embaçada, flashes ou manchas;
  • perda ou alteração importante da visão;
  • dor intensa na parte superior do abdômen;
  • inchaço repentino importante no rosto ou nas mãos;
  • dificuldade para respirar;
  • náuseas ou vômitos incomuns após o primeiro trimestre;
  • pressão arterial muito elevada;
  • sensação súbita de estar muito mal.

Esses sinais também são destacados nas orientações do Ministério da Saúde sobre pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

Não inicie medicamentos, incluindo aspirina, por conta própria com a intenção de prevenir ou controlar pré-eclâmpsia. Existem situações específicas em que profissionais podem recomendar medidas preventivas, mas a decisão depende da avaliação individual.

Eclâmpsia: qual é a diferença?

A eclâmpsia representa uma complicação grave associada à pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões que não são explicadas por outra causa.

É uma emergência médica.

A pré-eclâmpsia também pode evoluir para complicações graves, incluindo acidente vascular cerebral, insuficiência renal, edema pulmonar e síndrome HELLP. Por isso, reconhecer os sinais precocemente pode fazer diferença no cuidado da mãe e do bebê.

A pré-eclâmpsia pode aparecer depois do parto?

Sim. Embora seja mais conhecida como uma complicação da gestação, a pré-eclâmpsia também pode surgir depois que o bebê nasce.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas informa que a condição pode se desenvolver nas semanas seguintes ao parto, enquanto o Ministério da Saúde alerta que ela pode ocorrer até mesmo no período pós-parto.

Por isso, continue atenta a sintomas como:

  • dor de cabeça intensa ou persistente;
  • alterações visuais;
  • falta de ar;
  • dor forte na região superior do abdômen;
  • pressão elevada;
  • inchaço repentino;
  • sensação importante de mal-estar.

É comum que toda a atenção da família fique voltada para o bebê depois do nascimento. Ainda assim, a saúde da mãe também precisa continuar sendo observada e acompanhada.

O que provoca a pré-eclâmpsia?

A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Ela está relacionada principalmente a alterações no desenvolvimento e funcionamento da placenta e na circulação materna, podendo levar ao aumento da pressão arterial e ao comprometimento de órgãos.

O que acontece com o bebê quando a mãe tem eclâmpsia?

A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia. Ela pode reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta, aumentando o risco de restrição do crescimento, sofrimento fetal, parto prematuro e outras complicações. É uma emergência médica.

Qual é o exame que detecta pré-eclâmpsia?

Não existe um único exame. O diagnóstico combina medição da pressão arterial, avaliação da urina e exames de sangue, além da avaliação clínica e, quando necessário, exames para acompanhar o bebê e a placenta.

Como evitar a pré-eclâmpsia?

Não é possível prevenir todos os casos. O pré-natal adequado, controle da pressão e identificação dos fatores de risco são fundamentais. Para algumas gestantes de maior risco, o médico pode indicar medidas preventivas específicas.

Conhecer os primeiros sinais de pré-eclâmpsia não precisa ser motivo de ansiedade. Informação confiável ajuda a mulher a reconhecer mudanças no próprio corpo e conversar com o profissional de saúde no momento adequado.

Manter as consultas de pré-natal, verificar a pressão conforme orientação e realizar os exames solicitados são medidas importantes. A própria Organização Mundial da Saúde recomenda acompanhamento pré-natal regular para favorecer a identificação precoce de sinais de pré-eclâmpsia.

Se algo parecer diferente do habitual, principalmente depois da 20ª semana de gravidez, comunique à equipe que acompanha sua gestação. Diante de sintomas fortes, súbitos ou preocupantes, procure atendimento.

Os primeiros sinais de pré-eclâmpsia podem ser discretos ou até silenciosos. Por isso, informação, acompanhamento pré-natal e atenção às mudanças do corpo são fundamentais para que possíveis alterações sejam avaliadas por profissionais de saúde com segurança.

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Conteúdo revisado por Dra. Alcilene Lopes, farmacêutica e biomédica, com atuação em atenção farmacêutica integrativa e terapia ortomolecular injetável.

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